Sergio
A. Lira. PhD. Nacionalidade brasileira. Tem 52 artigos publicados. É
medico pela Universidade Federal de Pernambuco (1982), e doutor em fisiologia
e farmacologia pela Universidade da California, San Diego (1988). Fez
pós- doutoramento no Roche Institute of Molecular Biology (Nutley,
NJ- 1988-92). Após o pós- doc, trabalhou por 11 anos na
indústria farmacêutica (Bristol-Myers Squibb (Princeton,
NJ) e Schering-Plough (Kenilworth, NJ). Atualmente, é Professor
Adjunto do Immunobiology Center of Mount Sinai School of Medicine (New
York, NY).
Sérgio Lira foi aos Estados Unidos originalmente
para estudar endocrinologia reprodutiva, mas mudou de idéia quando
conheceu Geoff Rosenfeld, seu orientador no doutoramento. Em sua tese
de doutorado, Sérgio Lira estudou os elementos genéticos
no gene do hormônio de crescimento responsáveis pela expressão
desse hormônio na hipófise. Para validar a natureza reguladora
desses elementos ele aprendeu a gerar animais transgênicos. Seu
início na Imunologia se deu na Bristol-Myers-Squibb onde estudou
o papel biológico das quimiocinas KC e JE. Para tanto, seu grupo
programou a expressão dessas moléculas em vários
tecidos de animais transgênicos. Esses estudos mostraram que a
expressão dessas quimiocinas era suficiente para promover o influxo
de células alvo (neutrófilos e macrófagos, respectivamente)
nos tecidos (Lira, Zalamea et al. 1994; Tani, Fuentes et al. 1996).
Curiosamente, o acúmulo dessas células não era
acompanhado de uma reação inflamatória significativa,
o que sugeria que essas quimiocinas eram capazes de recrutar as células
alvo, mas que outros fatores eram necessários para sua ativação.
Nessa época, colaborou com Rodrigo Bravo (Bristol-Myers-Squibb)
no estudo dessas moléculas e na geração e análise
de transgênicos e knockouts de gens da famila rel-NFkb. Sérgio
colaborou também com Mariano Barbacid (Bristol-Myers-Squibb)
e seu grupo, gerando knockouts para os receptores para NGF (nerve growth
factor) e GDNF (glial cell line-derived neurotrophic factor).
Depois de 5 anos na Bristol-Myers mudou-se para Schering-Plough,
onde continuou e expandiu seus interesses. Ainda interessado em caracterizar
o perfil biológico das quimiocinas, estudou quimiocinas expressas
constitutivamente em tecidos linfóides. Nesse período
demonstrou que a quimiocina 6Ckine (SLC, CCL21) é codificada
por dois genes e que um deles está ausente em um mutante natural
conhecido como plt. Mais adiante, demonstrou que a expressão
desta quimiocina é capaz de promover influxo de linfócitos
T no pâncreas, mas não no cérebro e pele(Chen, Vassileva
et al. 2002). Esses estudos foram os primeiros a indicar que a atividade
de algumas quimiocinas depende do tecido onde são expressas.
Ainda na Schering, também demonstrou que certos receptores para
quimiocinas, como CCR6 e CCR8 têm atividade imunomoduladora e
que algumas quimiocinas, como a lungkine, desempenham importante papel
na resposta inata(Chen, Mehrad et al. 2001).
Seu grupo tem estudado também moléculas codificadas por
vírus que se assemelham as quimiocinas, como um receptor para
quimiocinas codificado pelo Herpes 8 (ou Kaposi's Sarcoma- associated
Herpes Virus). Esse receptor se assemelha a CXCR2, um receptor responsável
pelo recrutamento de neutrófilos e possível mediador da
função angiogênica de algumas quimiocinas. A expressão
desse receptor (quem tem atividade constitutiva, ou seja, sinaliza na
ausência de ligante) em células do sistema hematopoiético
induz uma doença angioproliferativa que se assemelha ao Sarcoma
de Kaposi (Yang, Chen et al. 2000). Esses resultados constituem a primeira
evidência que receptores de quimiocinas, quando pirateados e otimizados
por vírus, podem agir como oncogenes. A capacidade deste receptor
de induzir a formação de tumores em animais transgênicos
está relacionada à expressão de vários fatores
que agem paracrinamente, induzido angioproliferação. Para
explorar alguns desses temas, seu laboratório desenvolveu os
primeiros sistemas de expressão condicional de quimiocinas em
animais transgênicos.
Ainda na Schering participou dos primeiros estudos
sobre a função biológica de p19 (p19 dimeriza com
p40 para formar a citocina IL-23). A expressão de p19 em animais
transgênicos causa uma síndrome inflamatória múltipla,
que se assemelha à observada em animais expressando IL-6 e IL-12
(Wiekowski, Leach et al. 2001). Seu laboratório gerou animais
deficientes em IL-23 que foram empregados recentemente em estudos realizados
por Sedgwick e colaboradores que mostram que muitas das atividades atribuídas
à IL- 12, são de fato, produto da ação de
IL- 23 (Cua, Sherlock et al. 2003). Para os que estudam células
dendríticas de camundongos, o trabalho publicado por Sergio Lira
e seu grupo agora em março (Manfra et al., 2003) pode ser de
grande interesse, uma vez que estes pesquisadores foram capazes de gerar
transgênicos que apresentam uma expansão no número
de DC, por exemplo, de 8% para 40% no sangue periférico. Este
aumento de DC, tanto maduras quanto imaturas, linfóides, mielóides
e plasmacitóides, foi devido à expressão condicional
do ligante Flt3 murino (FL), que é um potente fator de crescimento
hematopoiético que promove a diferenciação e mobilização
de células dendríticas. Agora em Nova Iorque, os seus
estudos estão concentrados na análise do papel das quimiocinas
nas doenças auto-imunes, em angiogênese e na definição
dos mecanismos usados por quimiocinas virais para evadir a resposta
imune.
Angelina M. Bilate
Cristina Caldas
Verônica Coelho