Sobre a extra section of clinical immunology-esci | Sobre a imunologia clínica, sobre a medicina

Por Luiz Werber-Bandeira*

Caros amigos, agradecemos à Sociedade Brasileira de Imunologia pelo apoio aos médicos imunologistas clínicos e à realização da Extra Section of Clinical Immunolgy-SBI 2006 e 2008. Estendemos aos presidentes dos congressos e da SBI daqueles anos: Profs. Gustavo P. Amarante-Mendes, Luiz Vicente Rizzo, João Santana e Aldina Barral e equipe, assim como ao Presidente de ESCI-SBI 2008 Prof. Júlio Voltarelli.

Em algum momento século XVIII o médico francês Dr. Pomme curou uma paciente fazendo-a banhar-se dez horas por dia durante meses. O parâmetro da “cura” “contra o ressecamento do sistema nervoso e o calor que o conservava” foi a visão de Pomme da saída de “porções membranosas” que se desprenderam com dores dos intestinos. É bem verdade que a maneira da análise dos conhecimentos, naquela época, era influenciada por aquilo que se queria ou pelo que se era induzido a ver (The Birth of the Clinic, Michel Foucault, Forense,1987).

No início do século XIX a medicina se introduz na era de medicina científica, estrutura-se sustentada no domínio da experiência e no pensamento racional. A modernidade se fez através do conhecer comparativo da anatomia patológica, evoluindo para a medicina molecular. Não queremos repetir o erro do Dr. Pomme: viu o que pensava que tinha visto. Baseado no entender somente através do sentir. Para o médico especialista as cadeiras básicas dão o suporte para compreender molecularmente aquilo que é soberano, a clínica médica, a inter-relação que sustenta o acompanhar dos pacientes.

As pesquisas básicas e clinicas justificam-se, somente, pontualmente, pela melhora da qualidade de vida do indivíduo. A integração das cadeiras básicas com a medicina clínica é indispensável. O objetivo, qual será, o ser humano, o tratamento do ser humano doente e daquele que poderemos prevenir que fiquem doentes.

Essa é a formação da clínica. O desenvolver constante do conhecimento.

Pó nós eleito como o mito decisivo, Sísifo, não apenas pelo ímpeto do recomeço, não só pelo trocadilho de Camus, intraduzível e perfeito "le mythe décisif", marcadamente muito mais pelo momento de sua descida, nesse descer há a abstração (Le Mythe de Sisyphe, Albert Camus, Gallimard, 1942). Não no zênite do infinito, não na profundidade do cérebro podemos ver Deus e o pensamento, isso é o abstrato. Na abstração é que podemos absorver o novo, com certeza aceita-lo e evoluir.

Emigramos de várias sociedades médicas para a SBI, apesar de não termos nela nascidos. Lutamos pela nova pátria. O professor Oliveira Lima, um dos criadores da SBI, foi o incentivador da nossa ida para essa sociedade.

A ESCI nasceu para a unificação da imunologia experimental com a clínica, nunca a divisão. Foi proposto um simpósio paralelo, porém defendemos que a atividade clínica deveria pertencer ao congresso SBI. Em reunião na USP, com os presidentes da SBI e do congresso foi resolvido que o nome seria Extra Section of Clinical Immunology, precedendo a parte básica. A ESCI, portanto foi uma proposta da SBI; aprovada e ratificada em assembléias da SBI: 2005, 2006, 2007, essa ainda em vigor.

O congresso da SBI e a ESCI-SBI representam o cutting-edge da pesquisa científica com sua fundamental relação com as doenças imunitárias, dando oportunidade para a união dos médicos com os cientistas, ditando os novos caminhos e as novas terapias, com contribuição à medicina e aos pacientes. Há diferença nos interesses. Momentos com separação, momentos com integração se tornam indicados, para que cada ouvinte escolha os dias e as palestras. A ESCI-SBI 2006/08 trouxe à SBI centenas de profissionais inscritos especificamente na parte clínica, tornando-se auto-patrocinada, fortalecendo ainda mais o congresso da SBI. O homem possui a virtude de integrar os diferentes.

Nosso objetivo primordial é solicitar à Sociedade Brasileira de Imunologia, em prol da imunologia clínica, da medicina, da interfase, do paciente, que seja mantida a ESCI-SBI nos moldes em que foi idealizada e realizada, com tanto sucesso e aceite nos anos de 2006 e 2008.

*Luiz Werber-Bandeira é médico imunologista clínico da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, Unidade de Imunologia Clínica e Experimental, Discípulo e Assistente do Prof. Oliveira Lima.